Participações, aprendizados e os caminhos que se abrem após uma COP histórica para a agenda da comida e do clima
ESCRITO POR COMIDA DO AMANHÃ
em 26/11/2025
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A COP30 chega ao fim em Belém (PA) com a sensação de que, embora a conferência tenha terminado, muita coisa está apenas começando. Durante duas semanas intensas, entre os dias 10 e 21 de novembro, o Comida do Amanhã participou de mais de 20 eventos, ocupou espaços estratégicos na Blue Zone e na Green Zone e co-coordenou o Pavilhão Food Roots and Routes, na Blue Zone, que reuniu mais de 60 atividades e mais de 70 horas de programação dedicada a pensar sistemas alimentares saudáveis, sustentáveis e justos a partir das experiências do Sul Global.
Para Mónica Guerra, cofundadora do Instituto, esta COP foi diferente de todas as anteriores: pela primeira vez, o debate sobre sistemas alimentares entrou com força real na agenda da Conferência do Clima, e isso aconteceu justamente no Brasil, em um encontro marcado pela pluralidade, pela democracia e pelo protagonismo do Sul Global.
“Deslocamos a geografia desse debate”, afirma. “Não vinha apenas do Norte Global. Desta vez, fomos anfitriões, o Brasil – e também o Comida do Amanhã dentro do nosso pavilhão -, trazendo vozes diversas, de territórios, de saberes, de experiências que não costumam ter espaço nesses fóruns.”
A presença ampliada de movimentos sociais, organizações da sociedade civil, povos e comunidades tradicionais dentro e fora da Blue Zone deu novo peso político à agenda da comida, revelando que a transição ecológica justa não se constrói sem participação direta dos territórios.
O Pavilhão Food Roots and Routes
Co-coordenado pelo Comida do Amanhã, o Pavilhão Food Roots and Routes foi um dos destaques da COP30. Instalado na Blue Zone, o espaço se consolidou como um hub global de conhecimento, cultura e cooperação. Foram mais de 60 atividades, entre debates, mesas-redondas, exibições de documentários, rodas de conversa e apresentações culturais. O pavilhão combinou saberes tradicionais, ciência e inovação, e ajudou a mostrar que transformar sistemas alimentares é uma das vias mais potentes para enfrentar a crise climática.
Para Thais Barreto, diretora do Comida do Amanhã, o pavilhão sintetiza o legado da COP30: “Mostramos a força da sociedade civil e a potência de avançarmos juntos. Ser anfitriões desse espaço, junto com o Comitê Curador, nos permitiu trazer vozes que raramente chegam à COP, e isso faz toda a diferença para o que vem pela frente.”
O que vocalizamos: comida como solução climática
Nos eventos da semana, o Comida do Amanhã levou ao centro das discussões temas essenciais para a agenda climática, entre eles:
- Alimentação como solução climática, articulando políticas públicas, inovação e saberes ancestrais;
- Agroecologia e bem-estar animal como chaves para sistemas mais sustentáveis;
- Financiamento, conhecimento e inovação no Sul Global para enfrentar a fome e o clima;
- Resiliência e adaptação climática a partir dos territórios;
- Diversidade de sistemas agroalimentares como alternativa às monoculturas;
- Políticas públicas urbanas de alimentação e o papel das cidades;
- Alimentação escolar e compras públicas da agricultura familiar como eixos de transformação;
- Crédito Rural e PNAE Agroecológico como impulsores da transição agroecológica e da sociobioeconomia;
- Alimentos agroecológicos na Conferência do Clima;
Confira a programação completa do Comida do Amanhã na COP30
Essa vocalização ecoou tanto nos espaços oficiais quanto nos demais espaços, marcando também a importância de estar presente fora da Blue Zone para que mais pessoas que não têm acesso aos espaços oficiais de negociação possam dialogar.
Durante as duas semanas de Conferência, o debate sobre alimentação, clima e justiça social ganhou densidade, visibilidade e novas alianças. O Brasil se consolidou como protagonista dessa conversa e o Comida do Amanhã como ator chave na articulação de políticas, narrativas e soluções que partem dos territórios.
As negociações oficiais ainda deixam pontos em aberto, especialmente no que diz respeito à forma como os sistemas alimentares aparecerão nos documentos finais. Ao mesmo tempo, há um saldo positivo potente: a articulação entre organizações, movimentos, pesquisadores e gestores nunca foi tão forte: “É bonito ver tanta gente falando sobre esse tema. Há um sentimento de que o legado da COP30 é o fortalecimento de quem está construindo sistemas alimentares mais justos, saudáveis e sustentáveis”, diz Mónica.
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