Estiveram presentes representantes do Instituto Comida do Amanhã e do MDS para debater as conquistas e desafios ao longo de 2 anos de implementação
ESCRITO POR COMIDA DO AMANHÃ
em 03/09/2026
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Na terça-feira (25), a equipe do Instituto Comida do Amanhã, no âmbito da Estratégia Alimenta Cidades, reuniu-se em uma oficina dedicada a compartilhar os aprendizados acumulados ao longo de dois anos de jornada.
O encontro contou com a presença de analistas, gerentes e diretoras do Instituto, além de representantes do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), promovendo um momento de escuta atenta sobre os desafios de quem atua diretamente no acompanhamento dos municípios. O Instituto Comida do Amanhã atua como um dos parceiros implementadores da iniciativa, atuando em 84 municípios brasileiros.
Um dos principais obstáculos mapeados pela equipe técnica durante a implementação da Estratégia foi a rotatividade dos pontos focais nas gestões municipais, o que frequentemente causava regressões nas rotas de implementação dos municípios. Para contornar essas rupturas e garantir o avanço das políticas, o time de projetos precisou ir muito além do que registram os relatórios formais, apostando no fator humano.
Por outro lado, entre as celebrações compartilhadas, a equipe enfatizou a importância da Estratégia no empoderamento de gestores municipais comprometidos com a pauta de Segurança Alimentar e Nutricional nos municípios. Na última quarta-feira, 26 de agosto, a equipe celebrou o marco de 2 anos de parceria na implementação da Estratégia.
O impacto da articulação presencial
A analista de projetos Ana Beatriz Venancio destaca que a escuta ativa, tanto estratégica quanto emocional, foi essencial nesse percurso. Esse esforço envolveu a tradução de materiais técnicos para uma linguagem mais acessível e a mediação de conflitos em diversas esferas governamentais e da sociedade civil. Além de fazer advocacy por uma governança sólida na Segurança Alimentar e Nutricional (SAN), ela lembra que foi necessário oferecer apoio em tarefas básicas de gestão para garantir que as cidades não perdessem recursos federais destinados aos agricultores.
Essa necessidade de tradução de cenários também marcou a atuação da analista Juliana Licio. Atuando como uma articuladora entre as expectativas federais e a realidade política local, Juliana relata ter exercido o papel de “cupido institucional”, conectando secretarias que antes não dialogavam. “Dediquei um esforço ao suporte emocional dos pontos focais para combater a solidão institucional, mantendo a ‘luz acesa’ mesmo nos períodos de silêncio da gestão. Onde foi possível, humanizei o processo técnico para construir a confiança necessária”, explica.
Construir esses vínculos exigiu tempo e adaptabilidade ao longo do percurso das rotas de implementação. Gabriella Kerber, também analista do projeto, ressalta que as trocas de mensagens informais do dia a dia foram decisivas para erguer pontes. Segundo ela, o acompanhamento demandou muita sensibilidade para compreender as relações de poder e os cenários políticos únicos de cada localidade.
Conexão entre o nacional e o local: ampliação das capacidades
Ao resumir os dois anos da Estratégia, a analista Heloyze Fonseca avalia a vivência como uma oportunidade de transformar políticas de SAN em ações concretas, com impacto real na vida das pessoas. Juliana Licio complementa a visão, afirmando que a segurança alimentar urbana vai além de diagnósticos: “Ela se constrói com a coragem institucional de pactuar rotas e a resiliência política de transformar ofertas federais em direitos consolidados no território”.
Esse trabalho capilarizado e a capacidade de adaptação foram reconhecidos pelo Governo Federal. Presente no encontro, Gisele Bortolini, Coordenadora-Geral de Promoção da Alimentação Saudável no MDS, pontuou que o suporte oferecido superou o aspecto técnico. “Essa estrutura que construímos para apoiar as cidades na implementação da estratégia nacional foi muito mais do que só uma ferramenta operacional. Foi construído um vínculo, uma confiança, que resultou na ampliação das capacidades estatais”, avaliou.
Gisele enfatizou ainda que “uma estratégia nacional só faz sentido se fizer sentido para o nível local”, agradecendo o trabalho do Instituto e destacando que as trocas realizadas durante a oficina permitirão compilar um valioso conjunto de lições aprendidas.
Esse reconhecimento foi endossado pela gerente de projetos do Instituto Comida do Amanhã, Elizabeth Affonso, que ressaltou publicamente a grandeza da atuação da equipe diante da capacidade de adequar as metodologias às individualidades de cada município, reagindo de forma precisa às dinâmicas locais.
Para Juliana Tângari, diretora do Instituto, o envolvimento da equipe prova que o fator humano é o grande diferencial nas políticas públicas. “Lidar com gente tem um impacto gigante. A Estratégia Alimenta Cidades funciona como um impulsionador de ações, especialmente onde há agentes com menores capacidades operacionais. “Quando levamos ferramentas e ‘pegamos na mão’, o efeito de qualquer intervenção governamental é transformador”, celebrou.



