Relatório SOFI 2025 destaca saída do Brasil do Mapa da Fome como reflexo de políticas públicas alimentares

País está abaixo do limite aceitável de 2,5% da população em situação de insegurança alimentar O Brasil está oficialmente fora do Mapa da Fome, segundo o relatório Estado da Segurança Alimentar e da Nutrição no [...]

ESCRITO POR COMIDA DO AMANHÃ

em 30/07/2025

|

536

País está abaixo do limite aceitável de 2,5% da população em situação de insegurança alimentar

O Brasil está oficialmente fora do Mapa da Fome, segundo o relatório Estado da Segurança Alimentar e da Nutrição no Mundo (SOFI) 2025, divulgado nesta segunda-feira (28) pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO). O país tinha alcançado esse patamar em 2014, mas havia retornado ao Mapa em 2018. Os dados foram apresentados durante a Cúpula da ONU sobre Sistemas Alimentares (UNFSS+4), realizada em Adis Abeba, na Etiópia.

Publicado anualmente pelas agências da ONU, o relatório monitora o progresso global em direção ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 2 (Fome Zero e Agricultura Sustentável) O documento avalia indicadores como subalimentação e insegurança alimentar grave e moderada, utilizados para compor o chamado Mapa da Fome. De acordo com o relatório, o Brasil está abaixo do limite aceitável de 2,5% da população em risco de subnutrição ou insegurança alimentar, o que deixa o país fora do mapa. O levantamento é baseado na média trienal dos anos de 2022, 2023 e 2024.

A saída do Brasil do Mapa da Fome é resultado direto do fortalecimento de políticas públicas alimentares que atuam de forma sistêmica, como o apoio à agricultura familiar, a ampliação da alimentação escolar e o acesso a uma alimentação saudável. Entre as principais ações estão o Plano Brasil Sem Fome, que articula programas como o Bolsa Família, o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), as Cozinhas Solidárias e o incremento da alimentação escolar, além de crédito para a agricultura familiar.

Para Juliana Tângari, é gratificante tomar conhecimento de que o número de pessoas em situação de subnutrição no país foi reduzido a ponto de retirar o país do Mapa da Fome. Ela ressalta, ainda, a importância de o estudo ter trazido como foco a relação entre a inflação de alimentos e a capacidade de acesso da população a uma alimentação adequada. “Há alguns anos, a FAO vem monitorando o custo médio de acesso da população a uma alimentação saudável no mundo. É impressionante ver que na América do Sul a gente ainda tenha um valor maior que a média global no acesso a esse direito, o que exclui milhões de pessoas de uma alimentação saudável. E isso se relaciona muito com que a gente pode chamar de um ressurgimento do conceito de soberania alimentar”, avalia.

Desigualdades ainda persistem

Apesar da melhora nos indicadores internacionais, os dados do relatório SOFI 2025 mostram que a insegurança alimentar ainda atinge milhões de brasileiros. Segundo a FAO, mesmo que a taxa de subnutrição tenha caído para menos de 2,5%, marco que retirou o país do Mapa da Fome, 3,4% da população, ou seja, mais de 7 milhões de pessoas, ainda vivem em situação de insegurança alimentar grave, ou seja, convivem com a fome cotidiana e a incerteza sobre a próxima refeição.

A insegurança alimentar moderada ainda afeta 13,5% da população brasileira, o equivalente a cerca de 29 milhões de pessoas que têm acesso instável à alimentação ou vivem sob risco constante de fome.

Os dados de fome no SOFI são medidos a partir de dois indicadores: o PoU e o FIES. PoU é o acrônimo para “Prevalence of Undernourishment”, que pode ser traduzido para “Prevalência da Sub-nutrição”. É um indicador indireto da fome e bastante complexo, que considera uma série de variáveis e dados nacionais, calculados considerando um período de 3 anos e que mede a estimativa de pessoas que não conseguem se alimentar adequadamente. Já o FIES, “Food Insecurity Experience Scale”, é traduzido como “Escala de Insegurança Alimentar” e se trata de uma medida baseada na percepção da insegurança alimentar familiar ou individual, permitindo recortes de insegurança alimentar grave e moderada.

LUPPA reconhecido em publicação da FAO

Em 2025, o LUPPA foi reconhecido pela FAO como uma das iniciativas com impacto sistêmico na transformação dos sistemas alimentares na publicação “Transforming Food and Agriculture through a Systems Approach”, que reúne experiências alinhadas à abordagem sistêmica recomendada pela ONU para enfrentar os desafios da insegurança alimentar e da crise climática. A publicação ressalta o caráter colaborativo e multissetorial do LUPPA, bem como sua contribuição para o fortalecimento de políticas alimentares urbanas no Brasil.

Esse reconhecimento antecedeu o lançamento do relatório SOFI 2025 e reforça a importância de estratégias locais integradas para a transformação dos sistemas alimentares. Ao destacar o LUPPA como exemplo de ação concreta em nível municipal, a FAO aponta a relevância das cidades na construção de soluções sustentáveis e no avanço rumo aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, em especial o ODS 2 (Fome Zero e Agricultura Sustentável).

Em 2023, o SOFI já havia citado o LUPPA – Laboratório de Políticas Públicas Alimentares Urbanas – como referência internacional, ao classificá-lo como um “food lab” (laboratórios alimentares voltados à construção de soluções para o ODS 2: Fome Zero e Agricultura Sustentável) com impacto na transformação dos sistemas alimentares urbanos e periurbanos.

 

Compartilhe!

Para saber mais

Continue se informando com outros artigos relacionados

SAIBA MAIS SOBRE AS NOSSAS
ESTRATÉGIAS

ACESSE NOSSOS
TEMAS

SAIBA MAIS SOBRE OS NOSSOS
PROGRAMAS

ASSINE NOSSOS
CONTEÚDOS

ENTRE EM
CONTATO

SAIBA MAIS SOBRE AS NOSSAS
ESTRATÉGIAS

ACESSE NOSSOS
TEMAS

SAIBA MAIS SOBRE OS NOSSOS
PROGRAMAS

ASSINE NOSSOS
CONTEÚDOS

ENTRE EM
CONTATO