Diretora do Instituto, Juliana Tângari, compartilhou a experiência brasileira com alimentação escolar agroecológica em encontro na sede da ONU, e marcou presença em outros espaços da Climate Week.
ESCRITO POR COMIDA DO AMANHÃ
em 01/10/2026
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Pela primeira vez, o Instituto Comida do Amanhã participa da Semana do Clima de Nova York (Climate Week NYC), um dos principais encontros internacionais dedicados ao debate sobre mudanças climáticas e caminhos para acelerar a ação climática. Realizada de 20 a 27 de setembro, a programação reúne lideranças de governos, empresas, sociedade civil, academia e filantropia em diferentes espaços da cidade.
A presença do Comida do Amanhã no evento faz parte de uma conexão central para o Instituto: não é possível discutir o futuro do clima sem discutir também os sistemas alimentares. A forma como produzimos, distribuímos, acessamos e consumimos alimentos está diretamente relacionada aos territórios, às economias locais, ao uso da terra e à resiliência das comunidades diante das mudanças climáticas. Ao mesmo tempo, eventos climáticos extremos afetam a produção, o abastecimento e o acesso aos alimentos.
Ao longo da semana, a diretora e cofundadora do Instituto, Juliana Tângari, participou ativamente de dois dos encontros, nos dias 21 e 22 de setembro, com falas sobre a experiência brasileira em sistemas alimentares, e a ação a partir dos governos municipais. O Comida do Amanhã também esteve presente em outros vários eventos da programação.
Alimentação escolar e territórios conectados

No dia 21 de setembro, Juliana participou do School Meals for the Future: Leaders Accelerating Progress, promovido pela Fundação Rockefeller em parceria com o Programa Mundial de Alimentos (WFP) e a organização Beast Philanthropy, realizado na sede das Nações Unidas em Nova York.
O almoço reuniu cerca de 100 lideranças de governos nacionais, organismos multilaterais, filantropia e setor privado para mobilizar investimentos públicos e parcerias globais para expandir programas de alimentação escolar resilientes e regenerativos. A iniciativa faz parte do compromisso da Fundação Rockefeller para ajudar governos a fornecer refeições nutritivas a mais 100 milhões de crianças até 2030 através do School Meals Accelerator.
Nesse sentido, Tângari compartilhou a experiência do PNAE Agroecológico, programa liderado pelo Comida do Amanhã em correalização com a AOPA, Centro Ecológico, CETAP, Instituto Regenera, Centro Sabiá e Instituto Fome Zero (IFZ) e com o apoio do Centro de Excelência contra a Fome do Programa Mundial de Alimentos (WFP) no Brasil e da Fundação Rockefeller, para fomentar a transição agroecológica da agricultura familiar a partir da alimentação escolar da rede pública e a importância de fomentar a agroecologia no sistema agroalimentar brasileiro, assim como a relevância da boa implementação de política pública no nível local para o sucesso dos objetivos nacionais.
Já no dia 22 de setembro, foi a vez do debate sobre as relações entre cidades e territórios rurais. No encontro Feed the City, Sustain the Territory, promovido pela C40, foi apresentada uma nova pesquisa sobre estruturas de governança de entes públicos para Alianças Urbano-Rurais (URAs) e o papel das cidades na construção de sistemas alimentares mais justos e sustentáveis.
A mesa reuniu representantes de governos municipais, academia e filantropia para discutir modelos de governança capazes de aproximar cidades, áreas rurais e os diferentes atores que integram os sistemas alimentares. Entre os temas estiveram o fortalecimento de agricultores e empreendimentos locais, a criação de empregos verdes, a resiliência dos territórios e a redução de emissões.
“No Comida do Amanhã, acreditamos que o caminho dos sistemas agroalimentares rumo à convergência com a agenda climática passa por discutir o papel dos governos locais e pela compreensão dos territórios e arranjos territoriais, e que a inovação também se dá no âmbito da política pública. De todo o universo de soluções e caminhos possíveis para a agenda alimentar a partir das cidades, os mais estratégicos são as políticas e ações que incorporem a visão sistêmica e busquem múltiplos co-benefícios. Por isso, para a semana do clima de Nova York, o Comida do Amanhã levou a mensagem de duas pautas muito importantes em sua agenda de ação: a transição agroecológica fomentada pela alimentação escolar em seu formato mais completo e ambicioso, e a orquestração da governança de sistemas alimentares metropolitanos para a entrega mais efetiva de resultados locais.
A agenda alimentar em diferentes espaços da Climate Week
A programação da semana também levou o Comida do Amanhã a outros espaços de discussão. No dia 23 de setembro, o Instituto participou do Food Day 2026, encontro promovido pela TILT Collective que reuniu representantes de diferentes setores para discutir a transformação dos sistemas alimentares, com temas como acesso a alimentos saudáveis e sustentáveis, redução de perdas e desperdícios, produção sustentável, políticas públicas e ambientes alimentares, incluindo também fala da ACT Promoção da Saúde sobre a experiência do advocacy no Brasil.
Já no dia 24, o Instituto participou do encontro The Power of the Public Plate: Health, Climate and the Culinary Workforce, promovido pelo departamento de Política Alimentar e de Saúde da prefeitura de Nova York. A programação discutiu o papel das refeições e compras institucionais na promoção da saúde e da sustentabilidade, incluindo o fortalecimento de cadeias regionais de abastecimento e a ampliação do uso de proteínas vegetais.



