Equipe percorreu quatro regiões do país e 11 cidades para aplicar teste metodológico, mapear demandas da agricultura familiar e articular gestores, rumo à construção das ações a partir de 2026
ESCRITO POR COMIDA DO AMANHÃ
em 09/12/2025
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O programa PNAE Agroecológico concluiu a rodada de visitas presenciais às famílias agricultoras e às gestões municipais dos quatro territórios envolvidos no projeto, marcando a transição para uma nova etapa: a implementação dos projetos-piloto que irão apoiar a transição agroecológica da agricultura familiar nessas regiões. A equipe do programa esteve nos territórios selecionados, onde conduziu reuniões com secretarias municipais, dialogou com organizações de assistência técnica e visitou propriedades para articular as ações do programa a partir de 2026.
As reuniões presenciais foram conduzidas em 11 cidades, que fazem parte de quatro grupos de municípios, em quatro regiões: no Rio Grande do Sul, nas cidades de Caxias do Sul, Antônio Prado, Ipê, Montenegro e Porto Alegre, durante os dias 16 a 24 de outubro; no Paraná, em São José dos Pinhais, nos dias 28 a 30 de outubro; no Pará, nas cidades de Barcarena, Abaetetuba, Marituba e Benevides, que integram a participação coletiva no programa, de 3 a 6 de novembro, e em Pernambuco, no município de Caruaru, entre os dias 12 e 14 de novembro.
As visitas tiveram o objetivo de aprofundar a metodologia e as metas do projeto, além de alinhar os próximos passos com as gestões municipais e com os agricultores que deverão participar da iniciativa. Nos territórios, o programa contou com apoio do Instituto Regenera, Instituto Fome Zero,Centro de Excelência contra a Fome Brasil (WFP Brasil), além das organizações Terra Preta, Centro Sabiá, Centro Ecológico, Associação Orgânica Pela Agroecologia (AOPA) e o Centro de Tecnologias Alternativas Populares (CETAP) – responsáveis por acompanhar práticas de manejo, orientar ajustes de produção e apoiar agricultores ao longo do processo.
“Fizemos reuniões com as gestões de todos os municípios e com alguns agricultores locais para alinhar assistência técnica e insumos que serão destinados aos agricultores, além de debatermos novidades na gestão e fomento à agricultura familiar”, explicou Gabriela Vieira, Analista de Políticas Públicas do Comida do Amanhã.
Principais resultados
Para ela, um dos eixos mais importantes desta etapa foi o teste do método de avaliação da transição agroecológica, o questionário e protocolo que servirão para traçar o retrato inicial das propriedades que entrarão no projeto. O instrumento, construído em parceria com o Instituto Fome Zero, será utilizado para realizar até três avaliações ao longo do projeto – uma por ano – para acompanhar o avanço das famílias na transição. O teste em campo permitiu observar como o questionário se comporta em biomas distintos e ajustar detalhes técnicos antes da aplicação definitiva.
No Rio Grande do Sul, além de reuniões com secretarias e organizações técnicas, o grupo visitou propriedades em processo de transição e discutiu estratégias de acompanhamento. No Paraná, o projeto participou de agendas com a prefeita, o Conselho de Desenvolvimento Rural e cooperativas locais. No Pará, percorreu municípios ribeirinhos, reuniu-se com secretarias e alinhou o planejamento da assistência técnica, e em Caruaru a equipe participou da feira da agricultura familiar e dialogou com lideranças rurais.
Além disso, outro resultado importante dessa fase foi a articulação com os gestores: “Foi bem importante essa rodada de visitas para a gente ainda tirar dúvidas sobre a tecnologia, sobre quais são os próximos passos, para construirmos juntos, coletivamente. Essa articulação mais do que tudo tem como objetivo que a gente construa coletivamente esse projeto”, pontua Gabriela.
Joelcio Carvalho, oficial de parcerias do Centro de Excelência Contra a Fome, acompanhou a jornada em São José dos Pinhais e destacou o caráter inovador e inspirador do projeto: “Essa experiência do Brasil na alimentação escolar e nesse processo de compras locais, agora mais direcionada para alimentos mais saudáveis, regenerativos, sustentáveis, vai servir de inspiração para todo um programa ainda maior, de maior impacto, que é dentro da Coalizão Global da Alimentação Escolar e dentro da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, onde outros países também vão fazer esse processo de ampliação dessa oferta local desses alimentos”.
Assistência técnica: diferencial e desafio a ser superado

Um dos grandes diferenciais do programa PNAE Agroecológico é a centralidade que o projeto coloca para a assistência técnica especializada, que é também um dos grandes desafios que as famílias agricultoras enfrentam no processo de transição agroecológica. Portanto, parte do trabalho em campo foi justamente sensibilizar as famílias sobre o acompanhamento oferecido.
“O projeto tem esse grande diferencial. É uma assistência técnica especializada nesse assunto, em agroecologia”, não se trata de um checklist, mas de acompanhamento prático para orientar mudanças de manejo, inclusão de espécies da sociobiodiversidade e segurança técnica durante a transição”, afirmou Gabriela.
Próximos passos: construção coletiva e calendários de ação
Com o encerramento das visitas, o PNAE Agroecológico entra agora na fase de implementação dos projetos-piloto, que será construída junto às prefeituras a partir dos diagnósticos produzidos. Essa etapa prevê a definição de metas, cronogramas e critérios de seleção das famílias participantes, além da formalização da adesão de agricultoras e agricultores ao programa e da criação de um comitê gestor, que acompanhará cada etapa do processo junto aos agricultores.
A partir do início do próximo ano, começam também as visitas técnicas das organizações parceiras às propriedades e o primeiro ciclo de acompanhamento com a aplicação novamente do método de avaliação de transição agroecológica. Além disso, estão previstos para fevereiro e março atos públicos de lançamento da fase de implementação nos municípios, reunindo gestores, agricultores, entidades técnicas e profissionais das escolas. A ideia é marcar o início do trabalho em campo com eventos amplos e articulados, reforçando o caráter coletivo e territorial da iniciativa.
Com o diagnóstico consolidado, o método aprimorado e as equipes mobilizadas, o PNAE Agroecológico entra em sua fase mais estratégica: transformar a escuta e o estudo dos territórios em soluções reais para facilitar a compra de alimentos agroecológicos pela alimentação escolar e apoiar a transição produtiva das famílias agricultoras.
O PNAE Agroecológico deve envolver centenas de famílias produtoras nas 11 cidades que integram o programa, com foco especial a mulheres, jovens rurais e agricultores que já integram o PNAE e têm interesse na transição agroecológica. “Além disso, a gente espera que essa mudança nesse sistema alimentar que vai acontecer nesses municípios também atinja as regiões metropolitanas de cada um desses locais”, projeta Gabriela.
Sobre o Programa
O PNAE Agroecológico é um programa realizado pelo Instituto Comida do Amanhã em parceria com o Instituto Regenera e o Instituto Fome Zero com apoio institucional do Centro de Excelência contra a Fome do Programa Mundial de Alimentos (WFP Brasil) e apoio da Fundação Rockefeller que promove a transição para a agroecologia na agricultura familiar, fortalecendo as possibilidades de incentivos a pequenos produtores e de arranjos institucionais para as gestões municipais por meio da ampliação na oferta de alimentos da agroecologia na alimentação escolar.









