Estratégia Alimenta Cidades avança em 24 municípios e fortalece a política de segurança alimentar urbana

Durante as atividades, cerca de 900 participantes mapearam equipamentos públicos existentes, identificaram lacunas, analisaram fluxos de abastecimento e definiram prioridades para ampliar o acesso à alimentação adequada e saudável.

ESCRITO POR COMIDA DO AMANHÃ

em 20/03/2026

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No final de 2025, a Estratégia Alimenta Cidades deu um passo significativo com a realização de 24 oficinas virtuais. Os encontros reuniram os municípios que passaram a integrar a iniciativa por meio da Portaria nº 1.098, de 15 de julho de 2025, do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), marcando uma nova fase da política de segurança alimentar e nutricional urbana no Brasil.

As oficinas marcaram o início prático dessa nova etapa. Promovidos pelo MDS em parceria com o Instituto Comida do Amanhã, os encontros reuniram gestores públicos, técnicos e representantes das áreas de assistência social, agricultura, educação, saúde e sociedade civil em um processo de mobilização e formação. Durante as atividades, cerca de 900 participantes mapearam equipamentos públicos existentes, identificaram lacunas, analisaram fluxos de abastecimento e definiram prioridades para ampliar o acesso à alimentação adequada e saudável.

Esse trabalho resultou na construção participativa dos diagnósticos situacionais, ferramenta essencial para compreender a realidade alimentar de cada cidade, reconhecer potencialidades e orientar a elaboração da Rota de Implementação Municipal. Para Raquel Hunger, gerente de projetos para as cidades da Ampliação – Portaria MDS nº 1.098/2025, as oficinas foram um momento estratégico de escuta, troca e construção coletiva: “As oficinas da ampliação foram um grande sucesso, pois possibilitaram debates profundos sobre os desafios e caminhos para fortalecer a política de Segurança Alimentar e Nutricional no contexto local. Observamos muitos municípios repensando suas estruturas para institucionalizar essa agenda, com a criação de coordenadorias ou subsecretarias específicas e a busca por mecanismos de financiamento, como fundos municipais de SAN. Também se fortaleceu a compreensão sobre a importância de manter um SISAN ativo e articulado, com a atuação da CAISAN e do COMSEA, além do mapeamento de desertos e pântanos alimentares para orientar políticas públicas que ampliem o acesso a alimentos frescos e saudáveis.”

Diagnósticos situacionais orientam prioridades para fortalecer a segurança alimentar nas cidades 

O esforço coletivo de mapeamento realizado nos municípios resultou em um retrato consistente da infraestrutura de segurança alimentar existente no país. Os dados revelam realidades distintas, mas igualmente estratégicas para o fortalecimento da política pública. Em Diadema (SP), por exemplo, a rede já conta com quatro cozinhas comunitárias e quatro restaurantes populares em funcionamento, configurando uma estrutura consolidada de oferta de refeições. 

Em Carapicuíba (SP), o diagnóstico identificou 381 feiras livres no município, sendo uma capilaridade expressiva que pode ser integrada de forma mais estruturada às políticas de acesso à população em situação de vulnerabilidade. Já em Cariacica (ES), o diagnóstico apontou a existência de um restaurante popular e dez feiras. A ausência de cozinhas comunitárias e bancos de alimentos acendeu um farol: há ali um campo fértil para o fortalecimento da rede de proteção. 

As discussões técnicas também sinalizaram prioridades comuns entre diferentes cidades. A estruturação de bancos de alimentos aparece como demanda recorrente, assim como a criação e descentralização de restaurantes populares, inclusive em formato móvel, capazes de ampliar o alcance a comunidades fora do eixo central e em áreas de difícil acesso.  

Outro ponto que tem ganhado destaque é a criação de programas municipais de aquisição de alimentos, fortalecendo a compra direta da agricultura familiar local. Também surgiu, em diversos municípios, o interesse em instituir fundos municipais de Segurança Alimentar e Nutricional (SAN), como forma de ampliar a sustentabilidade financeira das políticas públicas da área. O diagnóstico, portanto, não apenas mapeou equipamentos existentes, mas também orientou escolhas estratégicas para qualificar o acesso à alimentação adequada e saudável. 

Em Cascavel (PR), a institucionalização da Estratégia Alimenta Cidades avançou com a publicação do Decreto nº 20.198, de 26 de fevereiro de 2026, que formaliza a governança local da iniciativa. O ato nomeia o ponto focal municipal e institui a Comissão de Planejamento e Monitoramento da Estratégia Alimenta Cidades, composta por representantes de diferentes secretarias e áreas da administração pública, fortalecendo a coordenação intersetorial das ações de segurança alimentar no município. Segundo Jane Prestes Dalagnol, secretária-executiva do COMSEA e da CAISAN no município e ponto focal da Estratégia, a comissão realiza reuniões mensais para alinhar ações e acompanhar o andamento das políticas relacionadas à segurança alimentar. “A comissão é formada por representantes das secretarias que integram a Câmara Intersetorial de Segurança Alimentar e Nutricional. Nós nos reunimos uma vez por mês para alinhar as ações, monitorar as diretrizes que estão relacionadas ao plano municipal de segurança alimentar e, quando necessário, ajustar as rotas de implementação. Os membros também articulam essas ações dentro de suas próprias secretarias, e contamos ainda com a participação de instituições da sociedade civil e convidados que contribuem com os temas discutidos”, explica. 

Com essa etapa concluída, os 24 municípios avançaram para o desenho da Rota de Implementação Municipal. Trata-se da conversão do retrato da realidade local em um plano de ação estruturado, com definição de prioridades, metas, prazos e responsabilidades institucionais. 

Para qualificar esse processo, as equipes técnicas do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) e do Instituto Comida do Amanhã, parceiro implementador da Estratégia Alimenta Cidades, darão início em breve às visitas técnicas aos municípios. A ação busca aprofundar o diálogo com as gestões locais, validar as rotas em elaboração e oferecer suporte técnico para enfrentar os desafios identificados. 

Nos municípios, iniciativas locais já ampliam o acesso à alimentação adequada 

Para além dos diagnósticos situacionais e do desenho das rotas de implementação, o que mais impressiona nos 24 municípios é a capacidade de criar soluções inovadoras mesmo diante de realidades locais desafiadoras.  São iniciativas que mostram que a segurança alimentar se constrói também no cotidiano das cidades.

.Em Mauá, na Grande São Paulo, a Cozinha Didática transforma o ato de cozinhar em ferramenta de educação alimentar e nutricional. A iniciativa ensina os beneficiários a aproveitarem os alimentos em sua totalidade: talos, folhas, cascas e sementes, contribuindo para a economia, a sustentabilidade e a melhoria da qualidade nutricional das refeições. O município mantém ainda o Café do Trabalhador, que oferece pão e bebida láctea gratuitos, de segunda a sexta-feira, à população que passa pelo Terminal Rodoviário Central.  

A rede municipal de segurança alimentar em Mauá vai além: o Restaurante do Servidor, com duas unidades, garante alimentação balanceada no ambiente de trabalho, enquanto hortas escolares e comunitárias aproximam crianças, jovens e adultos do cultivo de alimentos frescos. O poder público apoia ainda a distribuição de sopa solidária em parceria com a iniciativa privada, além de atuar na sistematização das entregas e na doação de alimentos para cozinhas solidárias.

Em Mogi das Cruzes (SP), o Programa Quitanda Social une dois objetivos que raramente caminham juntos com tanta eficiência: levar alimentos frescos e gratuitos a famílias em situação de vulnerabilidade e, ao mesmo tempo, fortalecer a agricultura familiar local por meio da compra direta dos produtores da região. O programa é sustentado pelo Programa Mogiano de Aquisição de Alimentos (PMAA), instituído pela Lei nº 7.932/2023. A legislação municipal prevê um investimento anual de aproximadamente R$1 milhão na compra de produtos de agricultores e cooperativas locais, com destinação ao Quitanda Social. A estratégia busca garantir a continuidade e reduzir as lacunas do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA.

Em Nova Iguaçu (RJ), o programa Cesta Verde conecta o acolhimento social à alimentação saudável de forma sensível e precisa. Criado a partir das doações recebidas pelo Banco de Alimentos por meio do PAA, o programa entrega cestas de hortifrúti diretamente no domicílio de famílias acompanhadas pelos programas PIPAS — Primeira Infância Protegida na Assistência Social — e Mamãe Presente, que atendem gestantes e famílias com crianças de até três anos, ou até seis anos em casos de deficiência. 

Em Belford Roxo (RJ), a aposta é na educação desde a primeira infância. A Cozinha Mágica consiste em um espaço lúdico e pedagógico implementado nas novas creches municipais, como as unidades Pequenos Heróis em Shangrilá e Parque Amorim, e na Escola Municipal Manoel Gomes. O espaço é projetado para que as crianças aprendam sobre alimentação saudável, matemática, literatura e trabalho em equipe de forma integrada, utilizando receitas e ingredientes como ferramentas pedagógicas. 

Na área da saúde e do cuidado com a população idosa, a Hortoterapia se apresenta como uma prática terapêutica que utiliza o cultivo de plantas para promover benefícios à saúde física e mental. Em canteiros cultivados por idosos e frequentadores inscritos no CRAS, são plantadas seis espécies de verduras: cebolinha, couve, mostarda, coentro, salsinha e alface, fornecidas pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade. Após a colheita, os alimentos podem ser utilizados pelo equipamento público, pelo CRAS ou pelos próprios participantes.

 

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