Com 9 dos 13 integrantes da diretoria eleita fazendo parte da rede, a iniciativa reforça o protagonismo das cidades na construção e implementação das políticas alimentares locais.
ESCRITO POR COMIDA DO AMANHÃ
em 28/08/2026
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No dia 11 de agosto, aconteceu a Assembleia de Fundação e Eleição do Colegiado Nacional de Gestores Municipais de Segurança Alimentar e Nutricional. O evento contou com mais de 70 participantes, que aprovaram o regimento e elegeram a primeira diretoria nacional para o biênio 2026–2028. Entre os 13 integrantes da diretoria eleita, 9 são das cidades LUPPA.
Para Thais Barreto, diretora do Instituto Comida do Amanhã, esse marco reflete o amadurecimento de um trabalho contínuo. “O LUPPA está indo para sua sexta edição e, ao longo desses anos, temos atuado para fortalecer a qualificação das políticas públicas alimentares numa construção coletiva com mais de 70 cidades de todas as regiões do Brasil”, explica. Ela destaca que, mais do que um grupo de cidades, o laboratório formou uma verdadeira comunidade de pessoas e gestores engajados na promoção da agenda de SAN.
Foi desse ambiente de cooperação que a ideia tomou forma. Segundo Thais, a proposta de institucionalizar o Colegiado para fortalecer os atores locais nasceu espontaneamente dentro da comunidade LUPPA. “Para nós, é essencial trazer o poder público municipal para o centro da discussão sobre o direito à alimentação e pensar condições concretas para executar uma política que é, por natureza, intersetorial. Recebemos essa proposta com muito orgulho, e atuar secretariando essa iniciativa foi um caminho natural para o Comida”, completa a diretora.
A articulação ganhou corpo de maneira muito prática durante o LUPPA LAB #5, sediado em Caxias do Sul (RS), em maio de 2026. Para Cristina Fabian, diretora de Segurança Alimentar e Nutricional do município gaúcho e eleita vice-diretora regional do Sul, o encontro presencial teve um papel decisivo. “Foi durante esse evento que se fortaleceu a articulação entre os municípios e foi fomentada a criação do Colegiado Nacional”, relembra. Ela ressalta que a representação regional na nova diretoria é vital em um país tão diverso, garantindo que “as particularidades sejam consideradas na construção das pautas nacionais, ao mesmo tempo em que se fortalece a construção de soluções conjuntas”.
Construção coletiva e foco no território
Essa pluralidade e foco no território também são pilares para Marcia Ribeiro, secretária Executiva de Segurança Alimentar e Nutricional do Recife (PE) e recém-eleita presidente do Colegiado. Para Marcia, o LUPPA foi primordial para colocar as cidades como protagonistas da discussão. “Afinal, é no município que as políticas acontecem, onde os desafios chegam primeiro e onde precisamos encontrar respostas concretas para a população”, destaca.
Olhando para o mandato que se inicia, a nova gestão busca estruturar os órgãos de SAN e garantir que as cidades sejam ouvidas de forma efetiva. A presidente pontua que os objetivos incluem o avanço do Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (SISAN), a qualificação dos equipamentos públicos, o fomento à agricultura familiar e urbana e o estímulo às compras públicas. Marcia reforça que tudo isso passa pela construção de mecanismos permanentes de cofinanciamento e maior cooperação técnica com os governos estaduais e federal.
A consolidação do Colegiado materializa uma sinergia poderosa: o LUPPA fortalece capacidades e aproxima as cidades, enquanto o novo órgão garante a representação política necessária. Como projeta Thais Barreto, “o Colegiado vai ser muito relevante para conectar gestores e construir agendas comuns, fortalecer o SISAN nacional e visibilizar o papel dos municípios nos espaços de decisão em todas as instâncias de governo”. Uma expectativa compartilhada por Marcia, que vislumbra, ao final deste mandato, “uma rede municipal mais articulada, gestores fortalecidos e uma agenda que reflita, de fato, a diversidade dos territórios brasileiros no enfrentamento à fome”.









