Participação no AfriFOODlinks Learning Summit marca nova etapa da aproximação entre o Instituto e o ICLEI África, que prevê a criação de uma incubadora de estratégias alimentares urbanas
ESCRITO POR COMIDA DO AMANHÃ
em 08/10/2026
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O Instituto Comida do Amanhã participou, entre os dias 23 e 25 de setembro, do AfriFOODlinks Learning Summit, em Tunis, na Tunísia, encontro promovido pelo ICLEI África que reúne organizações parceiras e cidades africanas em torno do fortalecimento da segurança alimentar nos sistemas alimentares urbanos. Representado pela diretora Thaís Barreto, o Instituto levou ao encontro a experiência brasileira na construção de políticas alimentares urbanas e os aprendizados acumulados ao longo dos cinco anos de atuação do LUPPA – Laboratório Urbano de Políticas Alimentares, em uma agenda de intercâmbio com cidades africanas.
Durante o evento, Thaís participou de sessões de troca sobre os aprendizados do projeto e também conheceu experiências desenvolvidas pelas cidades que integram a rede AfriFOODlinks para aprofundar a discussão sobre o que pode ser construído a partir da aproximação entre experiências africanas e brasileiras.
“Eu vim aqui para conhecer os resultados e desafios depois desses quatro anos de implementação e também para trazer a experiência do Brasil e do Comida do Amanhã com cidades brasileiras e especialmente no LUPPA e na implementação da Estratégia Alimenta Cidades”, explicou Thaís durante sua participação no encontro.
O encontro também marcou uma nova etapa da parceria entre o Comida do Amanhã e o ICLEI África, em colaboração com a organização africana Local South, com a formalização de uma iniciativa conjunta que dará origem à Incubadora Sul-Sul de Estratégias Alimentares Urbanas. A iniciativa reunirá cidades da América Latina e da África em um processo de intercâmbio, aprendizagem entre pares e apoio técnico, voltado ao desenvolvimento de estratégias alimentares urbanas com uma abordagem sistêmica e adaptada aos diferentes contextos locais.
De seminários internacionais a uma parceria entre cidades
Ao longo de 2025 e 2026, ocorreram três seminários internacionais no âmbito do LUPPA e do AfriFOODlinks, criando espaços de troca entre gestores e representantes de cidades dos dois continentes.
O primeiro encontro aconteceu em 25 de junho de 2025, com o seminário Cidades Fortalecendo Sistemas Alimentares Locais e Cultura Alimentar. A atividade reuniu representante de Barcarena (PA), cidade mentora do LUPPA, e representante da cidade de Kisumu, no Quênia, para discutir o papel dos governos locais na valorização de alimentos indígenas e regionais, o fortalecimento de sistemas alimentares e o potencial de projetos-piloto desenvolvidos pelas cidades.
Em 1º de outubro de 2025, o segundo seminário Local Food Markets & Placemaking: Mercados locais de alimentos e o fortalecimento do espaço público nos sistemas alimentares urbanos, levou as experiências de Caruaru (PE) e Cape Town expandindo o intercâmbio para temas como mercados locais, governança, financiamento, circuitos curtos de comercialização, cultura alimentar e inclusão produtiva.
Já em 22 de junho de 2026, o terceiro encontro abordou Programas de Proteção Social e Segurança Alimentar: estratégias municipais para fortalecer os sistemas alimentares locais. A atividade colocou lado a lado experiências de Santiago (RS), município que também faz parte do LUPPA, e Johannesburg, discutindo como programas de proteção social podem se relacionar com a produção e o comércio locais e contribuir para sistemas alimentares mais fortes.
Uma incubadora construída a partir da troca Sul-Sul
O próximo passo dessa aproximação será o desenvolvimento de um currículo para a Incubadora Sul-Sul de Estratégias Alimentares Urbanas. A partir do legado construído pelo LUPPA e pelo AfriFOODlinks, o projeto desenvolverá uma metodologia para um programa de aprendizagem de 18 meses, que combinará formação, intercâmbio entre cidades, visitas de campo e mentoria técnica.
A iniciativa será voltada a cidades da África e da América Latina, apoiando-as na construção e implementação de suas primeiras estratégias alimentares urbanas. Essas estratégias serão desenvolvidas a partir de duas perspectivas fundamentais: a abordagem de sistemas alimentares e a abordagem baseada em direitos. Mais do que promover a aprendizagem, o programa buscará conectar diretamente o conhecimento à ação, apoiando as cidades na transformação do aprendizado em iniciativas e estratégias concretas em seus territórios.
A previsão é que a metodologia desenvolvida seja implementada ao longo de 2027.









